Univates: uma universidade inquieta

Atenta ao ciclo de vida dos currículos, instituição cria cursos a partir das demandas da região.

Publicado em 1 de outubro de 2026 às 15:02

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Primeiro lugar nacional em Cultura Empreendedora no ranking do Brasil Júnior, primeira universidade do Sul do Brasil reconhecida como Referência Google for Education, Selo ODS e Selo Empresa Parceira da Diversidade Sexual e de Gênero, este último concedido a apenas 11 instituições no RS. A coleção recente de títulos da Univates não é obra do acaso, garante o pró-reitor de Ensino e Extensão, Tiago Weizenmann: é fruto de decisões estratégicas que vêm de longe.

O empreendedorismo que rendeu o topo do ranking, aliás, tem sentido amplo por ali. Não se trata apenas de incentivar a criação de empresas, embora isso também seja estratégico, mas de desenvolver pensamento crítico, capacidade de resolver problemas complexos e disposição para assumir riscos, em todas as áreas, da saúde às engenharias. E há novidade no forno: a instituição revisa neste momento a forma como o tema aparece na graduação e projeta novas iniciativas para 2027, com o assunto cada vez mais transversal aos currículos, e não como elemento isolado.

Currículos, por sinal, que estão longe de ser peça de museu. Mas o que faz um curso nascer, mudar de cara ou até se aposentar? O ponto de partida são as Diretrizes Curriculares Nacionais, que definem o mínimo exigido para cada profissão no país. A partir daí, entra em cena o contexto: as necessidades da região, o mercado de trabalho, as demandas sociais. “Os currículos precisam prever aderência formativa ao contexto em que estamos inseridos”, resume o pró-reitor. Formar um advogado, um engenheiro, um médico ou um professor, afinal, exige olhar para o cenário real de atuação. E tem mais gente com assento nessa mesa: os egressos respondem a pesquisas e, em um dos movimentos mais recentes de remodelagem dos cursos, sentaram para conversar com os professores. Quem já passou pela universidade e hoje está no mercado ajuda a apontar o que pode melhorar e a reforçar o que já funciona. A partir dessas conversas, cada curso sistematiza as contribuições e as leva para dentro da sala de aula.

Acesso à educação para quem mora perto ou longe

A mesma lógica vale na hora de decidir o que oferecer e em qual formato, do presencial ao EAD, dos cursos técnicos às residências médicas. Grupos de trabalho acompanham o cenário do ensino superior e rastreiam dados que embasam as decisões, avaliadas conforme critérios de pertinência, procura, necessidade do mercado e viabilidade orçamentária, com aval final do Conselho Universitário. “Ofertar um novo curso exige iniciativa e pró-atividade por parte da Univates, e também responsabilidade”, pontua o professor. Na prática, o movimento é constante: houve curso que cumpriu sua missão e entrou em extinção quando a demanda foi suprida, e cursos presenciais que, diante da queda de procura, foram reprojetados para os formatos EAD e semipresencial. Já Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia fizeram o caminho da escuta: nasceram do apelo das instituições de saúde da região, que buscavam esses profissionais, e a procura expressiva confirmou a aposta. Ambos em formato semipresencial, que combina aulas e práticas presenciais com estudos online, flexibilidade que também chegou à Pedagogia e à Educação Física.

Comunitária de origem e de vocação, a universidade completa a equação com a extensão, presente na jornada de todos os estudantes, seja em projetos, seja nas atividades dos componentes curriculares, e com o respeito às diferenças como condição de formação para a cidadania. Como resume Weizenmann, inspirado no educador português António Nóvoa: na universidade estamos entre diferentes, e o que nos educa é justamente a diferença.

No GreenMetric 2026, ranking mundial de sustentabilidade, a Univates subiu para o quinto lugar entre as universidades do país e, pela sexta vez, lidera no Sul.