Madre Bárbara a caminho dos 130 anos
Uma escola que atravessa o tempo e se mantém atual
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 10:08
Lajeado e o Colégio Madre Bárbara são praticamente da mesma geração. A cidade se emancipou em 1891; seis anos depois, a convite do próprio povo lajeadense, sete Irmãs do Imaculado Coraçã

o
de Maria (ICM) chegaram à cidade, em 30 de janeiro de 1897. E a acomodação foi rápida: já no dia 8 de fevereiro, a então Escola Sant’Ana abria as portas com 140 alunos matriculados.
“Era uma escola de referência para a formação de professoras. Tinha o acolhimento, o cuidado e a proteção das irmãs”, lembra a atual diretora, Maria Elena Jacques. Uma referência construída em capítulos bem marcados ao longo do século.
Uma história em capítulos
O primeiro deles é de 1939, quando a aprovação do Curso Ginasial fez da Sant’Ana uma escola só de meninas — os meninos, a cargo do Colégio São José, dos Irmãos Maristas, só voltaram em 1980. Em 1941, veio o Curso Complementar, de formação de professores, transformado em Curso Normal dois anos depois. Primeira escola do interior do Estado a oferecer o curso, a instituição virou Escola Normal Madre Bárbara e já formou mais de 1.900 professores — com direito a internato para as moças da região: quem quisesse dar aula no Vale do Taquari tinha ali o endereço certo.
A vocação para o cuidado ganhou mais um braço em 1975, com o Curso Técnico em Enfermagem, que formou mais de 250 profissionais em dez anos. Em 1990, foi criado o Científico, o atual Ensino Médio, e, com a LDB de 1996, veio a última troca de nome: Colégio Madre Bárbara, como Lajeado o conhece até hoje.

Tradição e inovação (e um terraço no sótão)
Duas palavras resumem o colégio de hoje, segundo a direção: tradição e inovação. A tradição está na máxima herdada da fundadora, Bárbara Maix — “Mostremos com exemplo aquilo que com palavras ensinamos” — e no jeito familiar de receber. “Quem chega aqui é bem recebido da mesma forma: o engravatado ou o de chinelo de dedo”, resume Maria Elena. O resultado aparece nas matrículas: há famílias na quarta e até na quinta geração de alunos, movimento reforçado pela educação infantil, aberta em 2015 a crianças desde o zero ano.
A inovação, por sua vez, chegou antes mesmo da lei que restringiu os celulares nas escolas. As salas são todas equipadas — Chromebooks, telão, som — e os aparelhos dos alunos passam o turno em caixinhas chaveadas até o fim das aulas. O efeito foi imediato: no recreio, os estudantes voltaram a se olhar, a conversar e a perceber o colega ao lado.
Para dar conta dessa convivência resgatada, o colégio transformou o antigo sótão em oito salas de aula e um terraço de 190 metros quadrados, com grama sintética e pingue-pongue. Some-se a isso a sala de turno integral e o Espaço de Formação ICM, com campo de futebol iluminado, pastoral, grêmio, culinária e até brincadeira com barro — em janeiro, vira colônia de férias, com piscina. No trajeto até lá, as crianças vão aos cantos e gritos, como crianças felizes fazem.

BOX: Números de gente grande
Hoje, o Madre Bárbara reúne 1.340 alunos e 230 funcionários, além de equipe multidisciplinar com serviço social, psicologia escolar, orientadoras educacionais e atendimento especializado —
estrutura que abraça também os alunos atípicos. Escola filantrópica, mantém edital público de bolsas de 100% e 50%.
Entre as 25 melhores do Estado
O reconhecimento mais recente veio de fora dos muros: o colégio figurou entre as 25 melhores escolas do Rio Grande do Sul. “Ela reconhece um trabalho sério, consistente e construído ao longo dos anos”, afirma a coordenadora pedagógica Justine Thomas. Para ela, o desempenho é fruto da formação permanente dos professores, do acompanhamento sistemático e de “uma cultura de altas expectativas, na qual cada aluno é incentivado a alcançar seu máximo potencial”.
Consistente como as paredes sólidas, com mais de um século, que mesmo depois de uma devastadora enchente, em 2024, não sucumbiram. Ao contrário, ganham novos contornos diante de cada mudança exigida pela passagem do tempo. No Madre Bárbara, definitivamente, tradição e inovação estudam na mesma turma.
















