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Pipocando Networking: o negócio que nasceu de um desabafo e virou rede

Da venda de cachorro-quente na rua ao pote de pipoca que deu nome à empresa, a trajetória de Graziela Muniz e Bárbara Bottoni construiu, em mais de dez anos, uma referência em conectar mulheres empreendedoras no Vale do Taquari.

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 16:38

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Antes de virar nome de empresa, Pipocando foi só um jeito de dizer o óbvio. Em 2014, Graziela Muniz chegou em casa frustrada com o trabalho de professora em um curso profissionalizante e desabafou com o filho, de 14 anos, que assistia à TV comendo pipoca. A resposta veio na lata: “Mas você gosta tanto disso, por que não faz de graça?” Dali nasceu a ideia de um canal no YouTube — e o nome saiu da cena: Pipocando Marketing Escola de Negócios.

A trajetória empreendedora de Graziela vinha de mais longe: bicos desde os 12 anos, aos 15 na extinta Rede Vale de Comunicação, e aos 18 a demissão para investir num carrinho de cachorro-quente que não vingou — mas deixou a lição que repete até hoje: diferenciação só funciona quando é verdadeira, e copiar modelo alheio raramente dá certo.

“Tem que investir tempo, investir pensamento, horas de estudo, para que a gente consiga se diferenciar ao máximo e entregar o melhor para o nosso cliente. E nem sempre o nosso cliente é o mesmo cliente da concorrência.”  — Graziela Muniz, sócia-fundadora

A pipoca na panela começa a estourar

O conteúdo solo no YouTube ganhou corpo: professoras convidadas, cursos, workshops e oficinas, e depois um espaço físico no centro de Lajeado, batizado de Pipocando Escola de Negócios para Mulheres, com currículo de finanças, marketing, gestão de pessoas, oratória e vendas.

Em 2018, a escola se mudou para o bairro São Cristóvão, quando Graziela se aproximou de Bárbara Bottoni, que já dava aulas no local. A amizade virou parceria, e foi a pandemia — com a saída da antiga sócia dos eventos — que selou a sociedade: Bárbara se ofereceu para retomar o primeiro encontro, um passo rápido até virar sócia do negócio.

Veio então a última virada de nome, de Pipocando Marketing para Pipocando Networking, reconhecendo que o motor do negócio não é a venda de curso, é a rede entre as mulheres que passam por ali.

“A gente sabe que está fazendo um bom networking quando ele está tão ramificado que tu já nem sabe mais de onde surgiu aquela indicação — e as pessoas já estão te representando, porque conhecem o DNA do teu negócio e confiam nele.”  — Graziela Muniz

 

Networking raiz: mulheres se conectam com suas histórias e olho no olho

Hoje a Pipocando tem duas frentes: eventos abertos a qualquer mulher — Mulheres & Negócios, desde 2017, e a Maratona de Palestras, o mais antigo (2015) — e a comunidade paga, hoje com 120 mulheres, em três camadas: “pipoca-semente” (três meses de experiência), “pipoca-vip” (associadas plenas) e “protagonistas” (representam a marca). As vagas abrem três vezes ao ano — março, maio e outubro — sempre por um evento Mulheres & Negócios.

Nesse evento a metodologia aparece com clareza: quem chega recebe uma “madrinha” até a mesa da rodada Meu Negócio em 1 Minuto — mesas de seis a oito mulheres, de áreas que não concorrem, com 60 segundos para cada apresentação, pensados para obrigar clareza sobre cada negócio. Além do talks no palco e o “livro das conexões”, com nome, WhatsApp e Instagram de todas as presentes.

É essa continuidade — não a troca de cartão no calor do evento — que as sócias apontam como a diferença entre networking de verdade e contato superficial: um bom vínculo amadurece até a mulher lembrar de comprar ou indicar aquela pessoa. Na comunidade, isso virou princípio — priorizar a compra entre associadas, a economia colaborativa.

“É um relacionamento que vira amizade, que de fato acontece a longo prazo — não é só pegar um cartão de visita num evento e deixar aquilo se perder. A gente precisa seguir se relacionando com aquela pessoa para lembrar dela na hora de comprar.”  — Bárbara Bottoni, sócia

Passados mais de dez anos, a essência segue a mesma: mulheres aprendem e empreendem de um jeito diferente, e crescem mais rápido com uma boa sociedade ao lado — e uma rede disposta a sustentá-las.